sexta-feira, 10 de junho de 2011

MUDANÇA

             Onde estão os fantasmas
             os gritos lancinantes....
              Estranho mundo...
             Volto a pintar-te
              como em criança.

              Estou rasgando a placenta
              e o sangue não me assusta.

             Visto-me de branco
              procuro o arco-ires
                     para dançar.

             Não quero muletas
              quero andar,
                     correr
                              /e/
           Sozinha encontrar
                    o Altar.

:: Val L. Paitach ::



             
       

TRISTEZA

Passou por mim
            /e/
fui cavar a terra.

Com a enxada
         cansada
não pude arrancar
as raizes que me
          devoram
fazendo-me chorar.

Correndo pelos bosques
procurando ajuda
             vieram as tuas
              mãos
para desvencilhar os cipós
que me acorrentam os pés.

A volta da dor
novamente seca...
seca, quebradiça...

O longo corredor
sem sonhos
aterrador...

seca
folha levada...
sem vontade de nada,
plantada em terra árida...

O corredor mais comprido...

:: Val L. Paitach ::

quinta-feira, 9 de junho de 2011

FORMIGA?

caminhos tortuosos
              chagas...
buscas milagre?

Onde as larvas
         que abrasavam
          a vida...
          os seres?

O mundo explode
             /e/
         num só eco
transformam-se as vozes
         dos homens que
           caminham surdos
            a própria voz.

Levanta-te
            anda
             toma
ouça os seus lamentos
lambe as suas chagas...
coma os seus restos
arrota as suas
            pragas
transforma-te em
            Formiga....

:: Val L. Paitach ::

NECTAR

Em uma noite
       haverá sol
cantaremos o nosso
       amor.

Abraçarei
       teu corpo que
        será meu
         /e/
        meu corpo
        será teu.

Nossas almas
         subirão ao infinito
         /e/
         entregarão à Deus
         essa alegria.

Árvores secas
          darão frutos
           /porque/
nossas árvores
           estão repletas
            de flores.

:: Val L. Paitach ::

O Poço



Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...