quinta-feira, 9 de junho de 2011

NECTAR

Em uma noite
       haverá sol
cantaremos o nosso
       amor.

Abraçarei
       teu corpo que
        será meu
         /e/
        meu corpo
        será teu.

Nossas almas
         subirão ao infinito
         /e/
         entregarão à Deus
         essa alegria.

Árvores secas
          darão frutos
           /porque/
nossas árvores
           estão repletas
            de flores.

:: Val L. Paitach ::

O Poço



Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Pablo Neruda

SAMADHI


Paramahansa Yogananda
Desfizeram-se os véus de luz e sombra,
Evaporou-se toda bruma de tristeza;
Singrou para longe todo amanhecer de alegria transitória,
Desvaneceu-se a turva miragem dos sentidos.
Amor, ódio,saúde, doença, vida, morte:
Extinguiram-se estas sombras falsas na tela da dualidade.

A tempestade de maya serenou
Pela varinha mágica da intuição profunda.
Presente, passado, futuro já não existem para mim,
Somente o Eu sempre-presente, fluindo em tudo, Eu, em toda parte.
Planetas, estrelas, poeira de constelações, terra,
Erupções vulcânicas de cataclismos do juízo final,
A fornalha modeladora da criação,
Geleiras de silenciosos raio X, dilúvios de elétrons ardentes
Pensamentos de todos os homens, pretéritos, presentes, futuros,
Toda folhinha de grama,eu mesmo, a humanidade;
Cada partícula da poeira universal,
Raiva, ambição, bem mal, salvação, luxúria,
Tudo assimilei, tudo transmutei
no vasto oceano de sangue de meu próprio Ser indiviso.

Júbilo em brasa, freguentemente abanado pela meditação,
cegando meus olhos marejados;
Explodiu em labaredas imortais de bem aventurança,
consumiu minhas lágrimas, meus limites, meu todo.

Tu és Eu; Eu sou Tu,
o conhecer, o Conhecedor. o Conhecido, unificados!
Palpitação tranguila, inenterrupta, paz sempre nova, eternamente viva.
Deleite transcendente a todas as expectativas da imaginação, beatitude
do samadhi!

Nem estado inconsciente,
Nem clorofórmio mental sem regresso voluntário
Samadhi amplia meu reino consciente
Para além dos limites da minha moldura mortal
Até a mais longínqua fronteira da eternidade,
Onde Eu, o mar Cósmico
Observo o pequeno ego flutuando em Mim.

Ouvem-se, dos átomos, murmúrios movediços;
OM, vibração criadora que exterioriza
toda a criação 
A terra escura, montanhas, vales... oh, líquidos em fusão!
Mares fluindo convertem-se em vapores de nebulosas!
OM sopra sobre os vapores, abrindo magníficamente seus véus,
Até que, ao último som do tambor cósmico
Transfundem-se as luzes mais densas em raios eternos
De bem-aventurança que tudo permeia.
Da alegria eu vim, para alegria eu vivo, na sagrada alegria me
disssolvo.

Os quatro véus, sólido, líquido vapor e luz,
Bem aventurados
Eu, em tudo, penetro no Grande EU.
Extintas para sempre as vacilantes,tremeluzentes sombras das
lembranças mortais:

Imaculadoé meu céu mental-abaixo,à frente e bem acima;
Eternidade e Eu, um só raio unido.
Pequenina bolha de riso, eu
Me converti no próprio Mar da Alegria.
_____________________________________

Fonte: Autobiografia de um Iogue, pg 162-163

quarta-feira, 8 de junho de 2011

CAIXA

            Podes abrir a caixa...

            Não tenhas medo
                   se lá tiverem
                           "cobras"
             não te farão mal.

            Olhes bem no seu
                           fundo
                     verás mil
                           borboletas
                          em festa.

          Verás maravilhas
                    encobertas
                    ainda não
                    possuídas.

          Por favor...
                 abras a caixa
                 para que eu
                       possa me
                       possuir.
           
               :: Val L. Paitach ::

terça-feira, 7 de junho de 2011

MINHA CASA

            Minha casa
                      meu lar
                      tornou-se
                      um pedaço
                            de céu.

          Cheio de risos
                     e choros
          de três rosas
                     que nasceram
                      em nosso jardim.

           Tão pequenas, ainda...
                       firmando-se
            procurando o seu espaço
            em nossos corações,
            no seu...no meu...
                        no mundo.

            O que o mundo lhes reserva?
            O que nós lhes daremos?
            O que elas criarão?

             Certamente darão
                         "cabeçadas"
             /e/ é preciso...
                           é preciso para que
                           compreendam a luta
                           /e/ um dia....
                            uma vida...talvez
                             consigam ler
                            nos corações tristes
                                         dos homens
                           a grande falta de Amor.
             
     :: Val L. Paitach ::
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